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Seca na República Dominicana: especialistas defendem resiliência e ação preventiva

· 3 min de lectura
Sequía en la República Dominicana: expertos abogan por resiliencia y acción preventiva

Na quarta-feira, a Confederação Nacional de Produtores Agropecuários (CONFENAGRO) acolheu o Diálogo Agropecuário intitulado “Seca agrícola na República Dominicana: momento atual e perspectivas”, onde especialistas de diversas instituições analisaram a situação atual do país e as medidas necessárias para mitigar seus efeitos. O encontro contou com a presença de Digna Zorrilla, subdiretora do Departamento de Gestão Agroambiental, Risco e Mudança Climática do Ministério da Agricultura, Gina Rosário, coordenadora técnica do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e Eleanor Ramírez, especialista em Resiliência e Gestão do Risco Agroclimático da Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO). Wilfredo Cabrera, presidente da CONFENAGRO, destacou a importância desses espaços de discussão para abordar as problemáticas que afetam os produtores.

A seca como ameaça nacional

Digna Zorrilla assinalou que a seca representa uma ameaça que prejudica a todas as pessoas. Explicou que o setor agropecuário tem um compromisso com a segurança alimentar, por isso o país deve enfrentar essa situação de maneira integral. “Como técnicos, estamos vigilantes desde que inicia o ano, através dos órgãos que têm a ver com a disponibilidade da água como o Instituto Dominicano de Recursos Hídricos e com os que têm a ver com as condições climáticas como o Instituto Nacional de Meteorologia. Temos o Comitê de Seca, onde se reúne um time que analisa a situação e envia aos tomadores de decisão”, explicou.

Segundo Zorrilla, para 2027 se prevê condições mais críticas devido ao fenômeno do Niño, por isso se recomenda que os produtores tomem medidas preventivas, como a construção de poços.

De emergência a risco recorrente

Gina Rosário do IICA explicou que a seca deixou de ser uma emergência e se tornou um risco recorrente, o que requer uma resposta estratégica. Destacou que o modelo tradicional de resposta reativa –no qual se age apenas após o desastre– deve ser substituído por um modelo de resiliência que abranja prevenção, preparação, ação preventiva, resposta, recuperação resiliente e transformação. “Vimos que a seca já não é uma emergência isolada, mas uma condição estrutural. A resiliência se planeja, se desenha e se constrói antes da crise. E devemos levar em conta que investir em capital natural e ação preventiva é investir em segurança alimentar”, afirmou.

Impactos diferenciais e a importância do setor agrícola

Eleanor Ramírez da FAO indicou que o país se encontra em um cenário de risco que exige preparação e antecipação. Ressaltou que os impactos da seca não se distribuem de forma homogênea; alguns produtores possuem capacidades diferentes, por isso as medidas de mitigação devem se adaptar. Além disso, lembrou que o setor agrícola contribui com 6,4% do Produto Interno Bruto do país. “Investir em preparação e antecipação é investir em segurança alimentar e em proteção de meios de vida”, assinalou.

Conclusões e recomendações

As especialistas concordaram na necessidade de se preparar e adotar ações preventivas e de mitigação ante os efeitos da seca no setor agropecuário. Destacou-se a urgência de fortalecer a infraestrutura hídrica, fomentar a diversificação de culturas e promover tecnologias de irrigação eficientes. Além disso, se fez hincapiê na importância da coordenação entre as entidades governamentais, os produtores e as organizações internacionais para desenhar e implementar estratégias de resiliência.

Créditos da fonte: deultimominuto.com